Egberto Nogueira.


Quando menina costumava passar minhas férias no litoral. Lembro de ir para a praia quase todo final de tarde, me sentar na areia e ficar lá, olhando o mar.

Tinha uma sensação única ao afundar meus pés na areia, o som do mar aquietando meus ouvidos, um fim de sol na pele e meus olhos ... meus olhos soltos ao mar ... o ritmo puxando meus pensamentos num vai-e-vem hipnotizante.

Por vezes presenciar toda aquela força mutante e incontrolável me dava um arrepio na espinha ... ainda não sabia, mas já era o friozinho do porvir. Podia sentir essa mesma força atuando na minha vida.

Há pessoas que conhecem profundamente o mar. Capazes de entendê-lo e até de prever seus movimentos, mas não sou uma delas. E, mesmo assim, continuo com esse péssimo hábito de tentar me fixar em coisas instáveis. Talvez devesse olhar mais para o chão, para os meus pés ... onde piso neste exato momento. Acho que, no mínimo, tropeçaria menos.

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