Kangoro Nakagawa.
Corbis.


Lembro como chegou. Um montinho de pêlos pretos em uma cesta com outros tantos montinhos de pêlos. “Filha, é o seu presente. Pode escolher.” Meus olhos brilharam. Puxei pro colo a mais topetuda. Você. Linda.

E me acostumei com aquela coisinha pequena me seguindo pela casa inteira. Pedindo colo. A dificuldade para aprender a fazer xixi no lugar certo. Alegria sincera me recebendo em casa por mais tarde que fosse. O olhar interesseiro ao me ver abrindo a geladeira. Os apelidos que mudavam de acordo com o meu humor. Gorda. Folgada. Tampinha. Mais mau humor, né?

Seus pêlos agora já são acinzentados. Não enxerga direito, mas continua me seguindo pela casa. Mesmo aos tropeços e cabeçadas. Desaprendeu a fazer xixi no lugar certo e eu aprendi a ter paciência. Não tenho mais seus pulos, mas me faz sorrir quando levanta a cabecinha ao me ouvir abrir a porta. Quem diria que seria difícil fazer você comer algo.

Agora preciso deixar você ir embora. Depois de 19 anos. Tanto. A última lição depois de ter acompanhado a sua vida todinha. De cabo a rabo, e sem nenhum jogo de palavras idiota. Espero que não esteja errando com você. Espero que seja o melhor. Vou sentir muito sua falta, Pequena.

Um comentário:

Anônimo disse...

Entendo, é duro.
Mas tenho uma teoria, eles vieram ao mundo e entram na nossa vida para nos ensinar amar verdadeiramente, como nos ama..