William Manning.
Corbis.


Depois de quatorze anos reencontrei meu pai duas vezes. O que significa muito para pessoas que tiveram rara convivência. O último reencontro foi em um dia ensolarado. Estava feliz, sorrindo e me abraçou quando lhe entreguei uma margarida branca. Não falamos muito, não era necessário. Tudo já estava lá, claro, maior que tudo ... o amor, o perdão, o agradecimento. Foi o que mais fiz ... agradeci. Como uma palavrinha pode ser tão abençoada. Obrigada.

Outras pessoas foram aparecendo atrás dele. Tantas e com tanta luz que chegavam a ofuscar meus olhos. Estávamos em uma estrada que cortava um campo verde, grama alta que se quebrava ao vento. Passado, presente ... todos lá.

Comecei a me afastar deles enquanto deixava uma mochila de viagem na beira da estrada, pegando só uma garrafinha de água. Ainda olhando para todos, sorri e acenei me despedindo. As pétalas finalmente iam dar em bem-me-quer ... todas elas. Então me virei para a estrada que ia dar longe e comecei a caminhar, sem olhar para trás, com uma luz dourada saindo do peito.

Um comentário:

. disse...

Que texto lindo, Paulinha...depois me conta a história do seu paizinho? Um beijo com Amor. Nic